sábado

A tanga de cerâmica


Na cultura marajoara há um destaque especial para as tangas. As tangas de cerâmica da Ilha de Marajó, são, segundo Eduardo Galvão, “as peças definidoras por excelência da fase marajoara, pela exclusividade, originalidade e tratamento decorativo”.
As tangas são uma evidência isolada do contexto cultural de Marajó, não se podendo precisar até hoje se a sua utilização era como ornamento pessoal ou peças ligadas exclusivamente a cerimônias de natureza religiosa.
As tangas de fibras vegetais e de plumas, são encontradas nas diferentes culturas indígenas da América; porém as tangas de barro são artefatos arqueológicos com evidência exclusiva na Ilha de Marajó, e têm servido de estudo para pesquisadores através dos tempos, sem se ter chegado a uma teoria definitiva.
Helen C. Palmatary, citando Heloisa Alberto Tôrres, diz que as tangas têm sido encontradas, em alguns casos, atadas às urnas funerárias femininas. Ladislau Neto, segundo Helen C. Palmatary, é de opinião que as tangas de barro estavam ligadas a cultos fálicos e salienta o extremo cuidado do artesão marajoara na fabricação e decoração destas peças.
A tanga de cerâmica encontrada nas escavações arqueológicas em Marajó têm o formato triangular, superfície abaulada, com os lados curvos. Apresenta furos nos vértices, por onde presume-se, eram enfiados finos cordões pelos quais a tanga era suspensa. Foram encontrados dois tipos de tanga, com referência à decoração: “Um, mais simples cujo único tratamento decorativo é um banho ou engobo vermelho, e outro em que predomina a pintura de traços vermelhos sôbre fundo branco. Em alguns exemplares aparecem desenhos em preto, ou combinação de preto e vermelho sôbre fundo claro. É característica dessa ornamentação, uma faixa do lado superior, com linhas verticais e inclinadas, intercaladas com triângulos sólidos”. A tanga faz parte da tradição ceramista policrômica da fase Marajoara e ressalta-se que as peças arqueológicas encontradas não apresentam desenhos repetidos.
As reproduções de tangas dos artesãos paraenses, procuram seguir as peças originais com relação ao tamanho, formato e decoração plástica. São cópias de tangas de coleções do Museu Paraense Emílio Goeldi, do American Museum of Natural History (U.S.A.), da Coleção Oliveira (Recife - Pernambuco), para citar as produções mais utilizadas pelos ceramistas paraenses.









Nenhum comentário:

Postar um comentário