quarta-feira

Artesanato em Cerâmica

APROVEITANDO MOTIVOS ARQUEOLÓGICOS
As origens das diversas culturas que estabeleceram-se na Bacia Amazônica em épocas muito anteriores ao descobrimento e colonização da Região, é ainda hoje um vasto campo para estudos, pesquisas e especulações. A pesquisa arqueológica na Amazônia pode ser dividida em 3 fases distintas:
pioneira , cuja característica fundamental estava ligada a tradição de colecionar e portanto sendo executada sob um ponto de vista estilístico;
sistemática , iniciada em 1948, por pesquisadores norte-americanos (Meggers e Evans), em Marajó e Macapá;
integrada , desenvolvida pelo grupo de Arqueologia do Museu Paraense Emílio Goeldi, ligada ao Programa Nacional de Pesquisa Arqueológica.
Cerâmica da Ilha de Marajó
Pode-se determinar com base de datação do Carbono-14, que a introdução da cerâmica na Bacia Amazônica, registrou-se no período 980 ± 200 a C. na Ilha de Marajó, Estado do Pará, denominada Fase Ananatuba.
Essa louçaria achada por expedições arqueológicas, determinou toda uma linha de cerâmica artesanal, particularmente retratando fielmente e/ou estilizando peças de fases arqueológicas de Marajó, de Tapajó e de Maracá.
A ocupação da Ilha de Marajó, em tempos pré-colombianos foi efetuada por sucessivos grupos indígenas; estudos porém, com base em estratigrafia arqueológica, definiram 5 fases ceramistas para a Ilha, segundo o pesquisador Mário Simões:
ANANATUBA (980 ± 200 a. C.);
MANGUEIRAS (contemporânea da fase anterior a partir do terço final da duração desta fase);
formiga (A. D. 100 a 400);
MARAJOARA (A. D. 480 ± 200, A. D. 580 ± 200 e A. D. 690 ± 200 a. C.);
ARUÃ (séculos XII a XVIII).
A fase MARAJOARA cujo povo ocupou uma área circular tendo por centro o Lago Arari, no Marajó, notabilizou-se pelo seu apogeu retratado nos achados arqueológicos, que caracterizavam-se “pela exuberância e variedade da decoração, utilizando pintura vermelha e preta, sobre engobo branco”.
As urnas funerárias podem ser consideradas a característica da Fase Marajoara e o período mais importante da arte ceramista dos povos da antiga ilha de Joanes.
Os tesos — também chamados aterros artificiais ou mounds — foram introduzidos no Marajó pelos indígenas da Fase Marajoara e adviram por uma questão de tradição deste povo, ou “em virtude de que as elevações rasteiras e inundações não permitiam a utilização do tipo de habitação a que estavam acostumados”. Os tesos eram utilizados como habitação ou cemitério e é grande e variada a quantidade de cerâmica neles achada, principalmente na chamada “Ilha” Pacoval, no lago Arari.
As urnas eram destinadas a enterramentos secundários — somente ossos. Evans & Meggers pesquisando os tesos de Marajó, tecem as seguintes considerações: “Os enterramentos das urnas funerárias nos mounds — cemitérios, eram feitos uns sôbre os outros, sem qualquer preocupação de não perturbar os anteriores, e há indicações de que grandes fogueiras foram acesas na superfície, bem como de que os ossos eram pintados de vermelho. Faziam oferendas aos mortos, por ocasião dos enterramentos, e a estratigrafia corrobora a prova de que a louça dos diferentes tipos, excisa, incisa e pintada, foi fabricada simultâneamente” (citação transcrita pelo pesquisador Frederico Barata).
Além dos ossos foram encontradas em algumas urnas funerárias, areia, cinza e fragmentos de cerâmica. Alguns esqueletos apresentavam deformações cranianas, traço da Fase Marajoara. A variação da decoração das urnas — umas finamente decoradas e outras mais simples — indicava a posição social do morto.
As decorações utilizadas nas urnas funerárias eram dos tipo Joanes Pintado — engobo branco sob pintura vermelha e preta formando desenhos geométricos — incisa (gravado) e excisa (relevo) ou técnica do champlevé. Esta técnica é um processo muito utilizado por entalhadores em madeira e esmaltadores nos metais; consiste em “decalcar um desenho sôbre uma superfície lisa e escavar depois o contorno, em certa profundidade, obtendo assim uma gravura em relevo” . A técnica excisa ou champlevé foi utilizada por indígenas na América do Sul e na América do Norte; na Amazônia a única exceção foi feita pela Cultura Tapajó, cuja cerâmica não apresenta vestígios da utilização deste método, no entendimento de Frederico Barata.
Haviam urnas que apresentavam modelagem nos dois lados do vaso ou em um só lado, representando figuras estilizadas em forma de animal ou de face humana. Há um tipo de urna funerária que apesar de ter a forma de vaso, com estreitamento no gargalo e borda extrovertida, lembra uma figura humana, com as mãos na boca, que deve representar uma forma de não exteriorização com relação a determinadas circunstâncias ou culto religioso.






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